Adolescência e comportamentos de risco em análise na Bogalha



A Bogalha dinamizou, na passada Sexta-feira, dia 8 de junho, a palestra “Comportamentos de risco na adolescência, sinais de alerta e formas de atuação”.

Ao longo de duas horas de conversa, a psicóloga Maria Ribeiro, da Clínica Mim, salientou a importância de os educadores estarem atentos e saberem identificar sinais de alerta que poderão indiciar comportamentos de risco por parte dos adolescentes. Esse olhar atento, salientou, não significa impedir os adolescentes de experimentarem e cometerem os seus próprios erros, mas antes supervisionar e aconselhar.

De acordo com a psicóloga, a postura dos pais excessivamente permissiva ou demasiado autoritária propicia comportamentos de risco nos adolescentes. O ideal, esclareceu, é uma postura assertiva, acompanhada de relações de confiança e afetividade, num ambiente acolhedor e onde reine a comunicação.

Maria Ribeiro alertou para os perigos de “dar tudo às crianças”, uma vez que esta atitude não favorece a auto estima dos adolescentes – que não reconhecem mérito pessoal nessa conquista- e dificulta o processo de lidar com situações de frustração.

Atitudes como desafiar os pais, contrariá-los, exagerar/dramatizar os problemas, afastar-se da vida familiar e ser impertinente e impulsivo são consideradas características desta fase da vida, como tal não devem ser encarados como sinal de preocupação.

Existem, contudo, frisou a oradora, atitudes e comportamentos preocupantes, nomeadamente: ansiedade e tristeza persistentes, necessidade constante de discutir, atitude de desafio constante e recusa total de cumprir regras, violência verbal extrema, recusa em assumir responsabilidades ou sair/ficar fora de casa sem autorização dos pais.

Questionada acerca da idade ideal para os jovens saírem à noite, Maria Ribeiro sublinhou que tudo depende da atitude do adolescente. “A liberdade de sair e ter autonomia tem de ser acompanhada por provas de responsabilidade, ou seja, a confiança dos pais resulta dos comportamentos adequados e seguros que os filhos revelam”, acrescentou.

A psicóloga considera importante que os adolescentes cometam erros, desde que reconheçam que o fizeram e que ajustem o comportamento.

Para além de problemas como gravidezes indesejadas ou comportamentos aditivos, como uso de álcool ou drogas, a oradora alertou para a dependência da internet, redes sociais e videojogos, que pode também provocar síndrome de abstinência, pela manifestação de sintomas como ansiedade, irritação, agressividade ou depressão.

Muitas horas a jogar videojogos, advertiu, podem ter reflexos no rendimento escolar e causar perturbações do sono, para além da dessensibilização provocada pela prática de jogos violentos.

A palestra surgiu da necessidade de formação parental por parte da Bogalha, que se tem concretizado em sessões de esclarecimento acerca de diversas temáticas relacionadas com o desenvolvimento infantil e juvenil, no âmbito de uma parceria com a Clínica Mim.