Bogalha promove formações para capacitar pessoas socialmente vulneráveis



A Bogalha está a promover três formações destinadas a públicos em situação de vulnerabilidade social, com o objetivo de capacitá-los para a inclusão. A primeira formação, a decorrer nas instalações do Gabinete de Apoio ao Rendimento Social de Inserção (RSI), tem como tema “Soft skills para redução de vulnerabilidade”.

Após a primeira formação, que termina a 21 de novembro deste ano, seguem-se os cursos de “Empreendedorismo – costureira” e “Competências sociais e profissionais para trabalho na restauração”. Estas formações resultam de uma candidatura efetuada em parceria com a entidade formadora AEDL ao Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE), cofinanciado pelo “Portugal 2020” e pelo Fundo Social Europeu.

A equipa técnica de acompanhamento, no âmbito da medida do RSI, foi responsável pela seleção dos formandos tendo em conta o seu perfil individual e tem realizado todo o acompanhamento do grupo.

Ana Rita Soares, psicóloga da equipa, explica que o principal objetivo das formações passa por “capacitar as pessoas para o acesso ao mercado de trabalho”.

“É uma capacitação que vai ao encontro do desenvolvimento pessoal, trabalha a parte motivacional, promove a capacidade para delinear objetivos, metas e identificar os passos necessários”, esclarece a técnica.

Danilo, de 26 anos, está a frequentar a formação e garante que os conteúdos abordados são fundamentais para o processo de procura de emprego. “Esta formação está a ser uma mais-valia para nós, está-nos a dar outros conhecimentos, maneiras de procurar emprego. Só a motivação já ajuda. Trabalhamos a parte do coaching, que nos vai ajudar nisso”, explica.

Trabalhar a autoestima tem sido um dos principais focos da primeira formação e Danilo sublinha a importância desta matéria para quem já procura emprego há “três ou quatro anos” sem sucesso. “Nós temos aqui um grupo de etnia cigana e para nós é sempre mais complicado arranjar trabalho, fecham-nos mais portas. Isto ajuda-nos a continuar a tentar, a esforçarmo-nos, mesmo que seja difícil, mesmo quando pensamos que não nos vão aceitar porque somos ciganos. Temos de tentar e acreditar que vamos conseguir”, acrescenta.

A colega Hermínia, de 38 anos, está desempregada desde 2013 e assegura que depois de tantos “nãos” a procura de emprego torna-se ainda mais difícil, já que “a parte emocional tem uma influência grande” nesse processo.

Mas a formação, explica a formanda, tem sido útil nesse sentido, “no controlo das emoções na altura das entrevistas, porque se uma pessoa for com medos, é complicado”.

As turmas são compostas por pessoas com idades compreendidas entre os 20 e os 60 anos e com o nível de escolaridade do 4.º ano ao 9.º ano. Apesar desta heterogeneidade, as técnicas procuraram criar grupos homogéneos “em termos de atitude, de forma de estar”. E Danilo confirma o sucesso relacional do grupo: “Como nós dizemos, agora somos uma família”.

A psicóloga Joana Macedo destaca ainda o facto de alguns dos formandos serem “elementos isolados, sem família”, beneficiando, por isso, de uma integração em grupo.

“Mesmo que não haja uma mudança que se traduza materialmente, isto é um marco para os formandos, um momento em que se sentem realizados, têm uma rotina, e acaba por ser uma descoberta de si mesmos”, remata a técnica. A colega Ana Rita Soares complementa: “É como se nós acendêssemos a fogueira e depois depende deles irem deitando as acendalhas”.