Soluções para problemas ligados ao álcool debatidas em encontro coorganizado pela Bogalha

Encontro alcoolismo

Decorreu ontem, dia 27 de novembro, o “1° Encontro – A intervenção social nos problemas ligados ao álcool: dos modelos ao trabalho em rede”, coorganizado pela Bogalha. O evento realizou-se na Aula Magna da Universidade Católica Portuguesa de Braga.

O encontro proporcionou a partilha de testemunhos de pessoas com problemas ligados ao álcool e a análise de práticas profissionais ao nível da prevenção, tratamento e reinserção.

O painel da manhã, aberto ao público, contou com as intervenções de representantes da “Associação Ser + Pessoa”, da “Associação Esposende Solidário” e dos “Alcoólicos Anónimos Portugal”.

A importância de atuar sobre esta problemática a todos os níveis, desde a sensibilização/prevenção primária, nomeadamente trabalhando a gestão de emoções com o público escolar, até à reinserção na comunidade, foi sublinhada por Ana Pereira, da “Associação Ser + Pessoa”, cuja atuação se concretiza numa intervenção multinível. Nuno Tavares, da mesma associação, destacou o facto de o consumo de álcool em Portugal estar a aumentar, colocando o país no topo dos consumos na Europa. Para o orador, esta questão torna-se ainda mais preocupante se considerarmos que os problemas ligados ao álcool não afetam apenas quem consome, mas antes toda a família e até mesmo a sociedade na sua globalidade.

Para as técnicas Daniela César e Luzia Dias, da “Associação Esposende Solidário”, que possui a “única comunidade do país para mulheres”, é essencial a existência de um programa de intervenção multidisciplinar e de longa duração, para preparar os utentes para a reinserção na sociedade. “A pessoa que chega vem muitas vezes com uma motivação extrínseca, seja por problemas familiares, pela retirada de filhos ou por problemas judiciais”, explicou Daniela. Para a técnica torna-se, por isso, fundamental trabalhar a motivação intrínseca, numa primeira fase. A comunidade, acrescentou, “funciona como uma micro-sociedade”, onde as utentes desempenham papéis e assumem responsabilidades, como cuidar da casa ou ter um emprego, ao longo de 12 meses.

O objetivo dos “alcoólicos em recuperação”, como se autointitula Fátima, do grupo “Alcoólicos Anónimos”, é manterem-se sóbrios. Considera que o “sentido de pertença em relação ao grupo, o trabalho em equipa e o desenvolvimento de competências em grupo” são grandes impulsionadores da recuperação de um alcoólico. Fátima explicou que existem 90 grupos em Portugal a realizar reuniões fechadas, destinadas apenas a alcoólicos, e/ou reuniões abertas, onde podem participar familiares e a comunidade em geral. Vasco, também membro dos “Alcoólicos Anónimos”, partilhou a sua experiência com o álcool: “Começou na adolescência. Sentia liberdade. Mal sabia eu que essa liberdade viria a ser a maior prisão da minha vida”. Ao longo do seu testemunho frisou a importância do grupo na sua recuperação, já que nas reuniões de partilha encontrou “experiência, força e esperança”. “As reuniões são os meus comprimidos”, confessou. Para si, os “Alcoólicos Anónimos” resumem-se a uma frase: “Um programa simples, para pessoas complicadas”.

Durante a tarde realizou-se uma sessão de trabalho relacionada com a referenciação e articulação nos problemas ligados ao álcool no concelho de Braga, restrita a profissionais de entidades locais de solidariedade social, saúde, justiça, município e Instituto da Segurança Social-CD Braga.

O evento resultou de um trabalho multidisciplinar e interinstitucional, no âmbito do projeto “Braga saiu à rua” – do Núcleo Local de Inserção de Braga – do qual fazem parte as equipas técnicas da Associação Juvenil “A Bogalha”, da Cruz Vermelha Portuguesa Braga, da Santa Casa da Misericórdia Braga e da Associação de Pais e Amigos da Freguesia de Cunha. Os presidentes e provedor das instituições envolvidas na organização também marcaram presença no encontro, manifestando, nomeadamente durante a sessão de acolhimento, preocupação com a problemática do alcoolismo e empenho na procura de soluções para o combater.

 

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